Dr. Carlos Figueiredo explica como hábitos modernos e exposição excessiva à luz aceleram o desenvolvimento da doença
Historicamente associada à terceira idade, a catarata está mudando de perfil no Brasil. Dados recentes fundamentados em estudos da Fiocruz e do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) revelam que a doença, caracterizada pela opacificação do cristalino, está atingindo pacientes em faixas etárias cada vez mais precoces, com cerca 25% dos brasileiros acima dos 50 anos já manifestando o problema.
O oftalmologista especialista a doença, Dr. Carlos Figueiredo, explica que a mudança no perfil dos pacientes está diretamente ligada a fatores comportamentais e ambientais. A exposição prolongada à luz solar sem proteção adequada, o uso intenso de telas digitais e hábitos de vida pouco saudáveis contribuem para o envelhecimento precoce do cristalino, estrutura do olho responsável por focalizar as imagens.
“O paciente jovem tem uma demanda visual muito alta por causa do trabalho e do uso de tecnologia. Por isso, não esperamos mais a catarata ‘amadurecer’ como se fazia antigamente. Ao primeiro sinal de perda de nitidez ou dificuldade para dirigir à noite, a intervenção já é indicada”, esclarece.
Com os avanços da oftalmologia, tornou-se possível identificar sinais iniciais da catarata ainda em fases leves, muitas vezes antes que o paciente perceba prejuízos importantes na visão. Entre os principais fatores associados ao surgimento precoce da doença estão:
- Exposição excessiva à radiação ultravioleta, sem o uso regular de óculos com proteção adequada;
- Uso prolongado de telas digitais, que favorece o estresse ocular e alterações metabólicas no olho;
- Tabagismo e má alimentação, que aceleram processos de oxidação no cristalino;
- Doenças metabólicas, como diabetes, que aumentam o risco de opacificação precoce;
- Uso inadequado de medicamentos, especialmente corticoides, sem acompanhamento médico.
Segundo Dr. Carlos Figueiredo, a catarata deixou de ser um diagnóstico restrito à idade avançada. “Hoje atendemos pacientes mais jovens com queixas visuais típicas da catarata, como visão embaçada, dificuldade para dirigir à noite e maior sensibilidade à luz. Isso reflete mudanças importantes no estilo de vida”, afirma.
O especialista reforça que o diagnóstico precoce faz diferença na qualidade de vida. “Identificar a catarata ainda no início permite orientar o paciente sobre hábitos de proteção ocular e acompanhar a evolução da doença de forma segura. Quando indicado, o tratamento cirúrgico é altamente eficaz e devolve nitidez visual com rapidez”, explica.
Apesar de a cirurgia ser o único tratamento definitivo para a catarata, a prevenção segue como um ponto-chave. O uso de óculos escuros com proteção UV, o controle de doenças sistêmicas e consultas oftalmológicas regulares ajudam a retardar o avanço da doença e preservar a visão por mais tempo.
“Vivemos cercados por telas e, muitas vezes, esquecemos o básico: o impacto da luz. Seja a luz azul dos dispositivos ou, principalmente, a radiação UV do sol, estamos sobrecarregando o cristalino. Não usar óculos de sol de qualidade não é apenas uma questão estética, é acelerar uma cirurgia que deveria acontecer daqui a 20 anos”, reforça o Dr. Carlos Figueiredo.
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Fonte: Dr. Carlos Figueiredo — Oftalmologista | Especialista em Glaucoma | Diretor Oftalmolife


